fbpx

IN MEMORIAM

No Brasil, o estudo das ciências geológicas é relativamente novo. Teve início no mandato do Presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), com a assinatura do decreto que criou a Campanha de Formação de Geólogos (CAGE). Antecedendo a esta ação pioneira e necessária, a Petrobras, fundada em 3 de outubro de 1953, também formulou uma política de treinamento, congregando vários profissionais de nível superior, das mais diversas origens, propiciando-lhes cursos de especialização em GEOLOGIA DE PETRÓLEO. De lá para os anos mais recentes, Brasil afora, vários cursos de Geologia e ciências afins foram criados. Atualmente, embora ainda deficiente, há um número significativo de profissionais dedicados a estes ramos das geociências.

A página In memoriam é, agora, incorporada ao nosso site com o objetivo de resgatar nomes de colegas, de qualquer geração, e que tenham contribuído significativamente para o desenvolvimento ou o conhecimento da Geologia do Petróleo do Brasil, principalmente. Como tendência do curso natural da vida, os mais idosos partem primeiro. Assim, muitos destes nomes, também homenageados em vida pela ABGP, estarão ligados à história da Petrobras, quer a partir de seus primeiros cursos de especialização, quer a partir da CAGE. Esta primeira geração é composta pelos verdadeiros pioneiros que lançaram os principais pilares de todo o conhecimento que temos sobre a Geologia do Petróleo de nosso país.

GEÓLOGOS

Amadeu Valcir Stringhini. Nossa homenagem ao Geólogo e Geofísico Amadeu Valcir Stringhini que faleceu em 05/04/2021 cuja carreira foi dedicada integralmente a Petrobras onde se aposentou em 1993. Dedicou seus 35 anos de carreira à exploração das principais bacias sedimentares brasileiras desde a sua formatura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na década de 70 trabalhou nas operações geofísicas de campo na Líbia. Como geofísico de interpretação é sempre lembrado por suas contribuições à Bacia Potiguar.

No trabalho orgulhava-se dos seus mapas bem contornados, herança de suas origens na gravimetria. Era um apaixonado pela profissão e muito orgulhoso de ter ajudado a construir e consolidar a Petrobras como uma das maiores empresas de O&G do mundo.

Ele tinha uma aparência fechada, de poucos amigos, cara de brabo mesmo. Mas era um caso típico de “as aparências enganam “. Na verdade, era uma pessoa prestativa, sempre pronto a ajudar os colegas e amigos. Um profissional muito competente, e uma pessoa excepcional!

Nos churrascos exercia sua prerrogativa de gaúcho e assumia tudo. E realmente sabia fazer.
Amadeu Stringhini, um bom amigo e uma grande figura. Perdemos agora um grande colega. Deixa muitas saudades, o Amadeu.

Osvaldo Braga da Silva. Geólogo, pela UFPA, com mestrado na UFOP e doutorado na UFRGS, era um exploracionista nato. Dizem os amigos que “ele conversava com as rochas”. Encantava os jovens geocientistas, com seu grande conhecimento e a permanente disposição para ensinar a todos, em todas as empresas que atuou. Era um apaixonado pelo que fazia. Atuou na interpretação exploratória em diversas bacias sedimentares, no Brasil e na América Latina como um todo, assim como em alguns países do oeste africano. Entre as suas grandes contribuições, destacam-se sua participação na descoberta do Parque das Baleias e na primeira descoberta dos reservatórios microbiais na Bacia de Campos.
Trabalhou por quase 30 anos na Petrobras, e posteriormente passou pela OGX, AZILAT e ECOPETROL, sempre com profissionalismo e dedicação exemplares.
Com muito pesar comunicamos a nossos associados e amigos, o falecimento do Osvaldo, vítima de complicações decorrentes de um AVC, aos 64 anos de idade. À sua família, expressamos nossas condolências.

Hamilton Rangel. A Geologia brasileira é repleta de excelentes profissionais, pessoas que dedicaram boa parte da vida a elucidar, quer do ponto de vista aplicado, quer do ponto de vista acadêmico, as nuances do interior da crosta terrestre. Hamilton Rangel foi uma dessas personalidades e dedicou-se ao estudo das bacias sedimentares.

Graduado em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de janeiro (UFRuRJ), ingressou na Petrobras onde permaneceu até aposentar-se. Após a aposentadoria, além da família, dedicou-se, também, ao estudo da música. Em seu início profissional, na Petrobras, atuou na exploração da Bacia do Espírito Santo. Sendo profissional destacado, foi indicado para estudos de doutorado (Phd), na UT Austin, os quais foram concluídos, em 1983. Graças à sua expertise, integrou a primeira equipe de exploração da Unidade do Espírito Santo, na cidade de São Mateus. De volta ao Rio de Janeiro, integrou a equipe de exploracionistas do Edifício Sede da Petrobras (EDISE) e propôs várias locações de sucesso, dentre as quais se destaca aquela que descobriu o campo gigante de Roncador.

Além de excelente geocientista, Hamilton era dono de uma personalidade afável e tratava a todos com muita educação e cortesia.

Vítima da COVID-19, permaneceu hospitalizado por mais de 15 dias, vindo a falecer no dia 25/11/2020.

 

Paulo Tibana, foi um pioneiro, no Brasil, no estudo das rochas sedimentares carbonáticas. Nesta área geocientífica, sem sombra de dúvidas, constituiu-se na maior autoridade brasileira. Raro é o geólogo brasileiro que, envolvido com rochas desta natureza, não teve aulas com ele.  Graduou-se como engenheiro eletricista e mecânico em 1956 na Escola Federal de Engenharia de Itajubá-MG. Ingressou na Petrobras em 1957 e obteve sua especialização em Geologia do Petróleo em 1958 (convênio Universidade Federal da Bahia-UFBA e Petrobras-CENAP). Em 1965 e 1966 esteve na Universidade de Stanford, California, e atuou como Assistente de Pesquisa na Universidade de Illinois, Urbana, EUA, em 1970.

Ao longo de toda a sua longa e completa carreira na Petrobras, de onde apenas saiu após a aposentadoria, capacitou-se e atuou como geocientista de petróleo no país e no exterior. De início esteve envolvido com projetos relativos às bacias do Paraná e Recôncavo (geologia de superfície e de subsuperfície), tendo, em seguida, se voltado para o estudo de rochas carbonáticas e evaporíticas, incluindo-se aí depósitos cretácicos e terciários das bacias costeiras do Brasil, entre as quais, Espírito Santo, Campos, Sergipe-Alagoas, Barreirinhas e Potiguar. No exterior investigou unidades carbonáticas do Iraque, Guatemala e Trinidad. Pertenceu ao quadro de geólogos do Laboratório Central de Exploração e do Laboratório de Rochas Carbonáticas do Centro de Pesquisas da Petrobras – CENPES. Exerceu a supervisão de estágios de vários professores/profissionais brasileiros e estrangeiros que passaram pela Petrobras em busca de conhecimentos sobre rochas carbonáticas.

Escreveu um conjunto de importantes relatórios técnicos, publicou artigos científicos e preparou roteiros de campo para áreas carbonáticas. No campo do ensino sua contribuição é notável, tendo ministrado, desde 1961, cursos de geologia do petróleo, sedimentologia, estratigrafia, paleoambientes de sedimentação, recursos energéticos, análise de bacias e de rochas carbonáticas, tanto na Petrobras como nas principais universidades brasileiras. Entre as últimas, citam-se UFBA, UFOP, UnB, UFRGS, UNISINOS, UFRJ, UERJ, USP, UNESP e UNICAMP. Nesta última colaborou para a implantação do curso de mestrado em Geoengenharia de Reservatórios. Orientou, ou co-orientou, um expressivo número de graduandos e pós-graduandos, tendo participado de várias bancas examinadoras de mestrandos e doutorandos em diferentes universidades do país.

Como professor visitante, atuou na UNICAMP, UERJ e UNESP. Nesta última universidade, foi pesquisador associado do Centro de Geociências aplicadas ao Petróleo – UNESPetro, Rio Claro. Aí colaborou na implantação de laboratórios, participou no desenvolvimento de projetos de pesquisa e ensino, entre os quais aqueles em parceria com a Petrobras voltados para a formação de novos carbonatólogos para a investigação dos reservatórios petrolíferos do Pré-Sal brasileiro. É um dos autores da obra “Calcários do Cretáceo do Brasil: um atlas”, volumosa e importante síntese petrográfica das principais unidades carbonáticas lacustres e marinhas cretácicas do país, publicada em 2015. Ao longo de sua consistente e brilhante carreira, este devotado e grande geólogo brasileiro, de memória invejável, simples, honesto e colaborativo, honrou a todos nós da comunidade geocientífica. Foi merecidamente homenageado em diversas ocasiões por diferentes entidades e autores.  A respeito de Paulo Tibana, Guilherme Estrella escreve: “Deixou o bem mais precioso que um ser humano pode deixar: o exemplo de pessoa e profissional. … Tibana, você não passou pela vida sem muito contribuir para a humanidade”.

Jorge Alberto Trigüis foi um dos pioneiros no estabelecimento da Geoquímica Orgânica no Brasil, tendo iniciado sua atividade nessa área na década de 80.

Jorge Trigüis formou-se em geologia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1963 e obteve o titulo de doutor pela Universidade de Newcastle (Inglaterra) em 1986. Como geólogo trabalhou nas empresas Camargo Corrêa, Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Paulista Petróleo (Paulipetro), Indústria e Comércio de Minérios (ICOMI), Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Robertson Research e no Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES).

Durante sua atuação profissional no CENPES (1987 a 1995),  Trigüis foi um dos principais artífices da fundação da Associação Latino-Americana de Geoquímica Orgânica – ALAGO –, juntamente com outros colegas da Petrobras e geoquímicos de empresas de petróleo da América Latina como Petróleos de  Venezuela (PDVSA), Empresa Colombiana de Petróleos S.A. (Ecopetrol), Petróleos Mexicanos (PEMEX) e Yacimientos Petroliferos Fiscales (YPF), além de professores de diversas universidades da região, como por exemplo a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidad Central de Venezuela (UCV), entre outras.

Sempre com muito entusiasmo, Jorge Trigüis foi um importante fomentador da cooperação latino-americana na área da Geoquímica Orgânica, tendo atuado como um dos idealizadores, como sócio fundador e como presidente da ALAGO. Durante sua participação no comitê diretor da ALAGO foram realizados congressos de grande êxito no Brasil, Colombia, Venezuela, Uruguai e México.

Após sua carreira na indústria, Jorge Trigüis atuou como professor universitário na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e Universidade Federal da Bahia (UFBA), instituições nas quais ele orientou diversas dissertações de Mestrado e teses de Doutorado.

A comunidade de Geoquímica Orgânica no Brasil perde um de seus nomes mais importantes, e, principalmente, um de seus grandes entusiastas.

 

Paul Edwin Potter faleceu em 05 de julho de 2020, com 95 anos em Cincinnati, cidade onde viveu grande parte de sua vida como professor na Universidade de Cincinnati.

Nasceu no Estado de Ohio. Morou alguns anos no Brasil e foi professor visitante na UNESP em Rio Claro e na UFRGS em Porto Alegre.

Foi consultor da Petrobras no início da década de 1970 e fez muitos amigos na empresa, tendo recebido inclusive uma homenagem enquanto lá esteve, por sua longa carreira e contribuição à Sedimentologia.

Muito querido e muito contribuiu à Geologia, especialmente aos tantos brasileiros que foram ajudados por ele enquanto esteve nas universidades do Brasil. Quem esteve nos bancos das universidades nas décadas de 1970 e 1980 deve ter consultado um de seus livros Sand and Sandstones, escrito com outros dois grandes nomes da geologia: Pettijohn e Siever.

Seu trabalho com o Geólogo e Consultor Dr. Peter Szatmari sobre a tectônica do Mioceno, foi celebrado aqui entre nós.

O Brasil era sua segunda pátria. Adorava vir ao Rio de Janeiro e sempre esticava suas viagens a Curitiba, Porto Alegre e aos rios e praias brasileiras coletando amostras de areia para suas pesquisas de proveniência.

Paul recebeu o Prêmio Pettijohn de Excelência em Sedimentologia da SEPM em 1992, a Medalha Mather por contribuições à geologia de Ohio pelo Ohio Survey em 1999 e o Prêmio de Educador Notável da Seção Leste da AAPG em 2000.

Professor Potter era acima de tudo um gentleman.

A geologia perdeu um de seus amantes.

Sócios Corporativos

Ouro

eco

Prata

eunata

ABGP

Contato

E-mail: abgp@abgp.com.br
Telefone: (021) 97287-0948

Contato

X